O Produto Interno Bruto (PIB) dos 79 municípios sul-mato-grossenses cresceu R$ 68 bilhões entre 2010 e 2023, pulando de R$ 116 bilhões para R$ 184 bilhões, de acordo com o levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Só entre 2022 e 2023 o incremento foi de 5,44%, mantendo o constante crescimento, que foi interrompido apenas duas vezes na comparação anual.
Em média, o crescimento anual do PIB foi de 4,18%, quase o dobro da média da Região Centro-Oeste, que ficou em 2,3%, já que o salto nos valores nominais das localidades do Estado representam incremento acumulado de 58,6% nas riquezas produzidas no período. Considerando todos os municípios do Centro-Oeste, o incremento foi de 33,7% nos 14 anos pesquisados, conforme a CNM.
Em relação à média do Brasil, os municípios do Estado tiveram um crescimento médio quatro vezes superior. Entre 2010 e 2023, a média nacional acumulada foi de 15,2%, o que representa incremento médio de 1% ao ano, pois no período foram três anos de PIB negativo: 2015, 2016 e 2020. Situação diferente do Centro-Oeste, com apenas um ano de PIB negativo.
A pesquisa apontou que o crescimento nacional “no período acumulado, de 15,2%, foi mais intenso nas regiões Centro-Oeste (33,7% ou 2,3% a.a.), Norte (25,8% ou 1,8% a.a), Sul (21% ou 1,5% a.a.) e Nordeste (18,4% ou 1,3% a.a.). A região Sudeste, que atualmente detém mais da metade do PIB brasileiro, cresceu 8,8% no período, o equivalente a 0,7% ao ano, em média”.
Mato Grosso do Sul registrou crescimento em 90% dos municípios do Estado em 2020, o que corresponde a 70 cidades. Mas o incremento não foi igualitário nos 14 anos pesquisados. Este recorde aconteceu um ano depois do pior desempenho, em 2019, quando apenas 23 municípios sul-mato-grossenses tiveram incremento no PIB. Outro ano de vacas magras foi 2017, com 38 localidades aumentando suas riquezas. Entretanto, em seis anos alternados, 70% a 78% das cidades registraram aumento do PIB.
Este aumento da riqueza por localidade variou quando a CNM calculou o PIB per capita (divisão dos bens gerados por morador). Até 95% dos municípios registraram aumento real, com variações anuais. Os maiores porcentuais foram nos anos de 2011 e 2020, com 75 localidades (95%) tendo crescimento neste índice. Em 2022, foram 73. Em 2016, 72 localidades. O pior desempenho nesse critério foi em 2019, quando só 52% dos municípios (41) aumentaram a riqueza per capita.
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, alerta que municípios com ampla expansão de atividade produtiva e populacional tendem a sofrer aumento da pressão sobre serviços públicos.
“O que vemos é o aumento de demandas da população nas mais diversas áreas, como vagas em creches, atendimento na saúde, necessidade de moradias, entre outras. Alia-se a esse cenário o fato de os municípios receberem cada vez mais responsabilidade decorrentes de decisões tomadas em Brasília, sem, no entanto, serem amparados por novas fontes de financiamento”, diz.
Retração
O salto de R$ 68 bilhões no PIB, de R$ 116 bilhões para R$ 184 bilhões, foi gradual. Só houve retração duas vezes no período. Entre 2014 e 2015, caiu de R$ 142 bilhões para R$ 139 bilhões e, entre 2018 e 2019, de
R$ 153 bilhões paraR$ 147 bilhões. Situação já revertida nos anos seguintes. Entre os motivos estão crise econômica e queda na produção de grãos por fatores climáticos (2018/2019).
Em 2010, a CNM apontou o PIB municipal sul-mato-grossense de R$ 116 bilhões, valor que subiu para R$ 124 bilhões no ano seguinte e, depois, foi a R$ 130 bilhões, em 2012. Em 2013, atingiu R$ 135 bilhões, passando a R$ 142 bilhões em 2014, caindo a R$ 139 bilhões em 2015, retração de 2,1%, reagindo em 2016, voltando aos R$ 142 bilhões, e chegando a R$ 144 bilhões em 2017 e a R$ 153 bilhões em 2018.
Em 2019, nova queda, desta vez de 4%, para R$ 147 bilhões. A partir daí, só aumento: em 2020, foi a R$ 158 bilhões; em 2021, a R$ 162 bilhões; em 2022, a R$ 175 bilhões; e, em 2023, a R$ 184 bilhões, um incremento de 5,44% em relação ao ano anterior.
A CNM também constatou que houve uma mudança na contribuição de cada região do País para o PIB. “Considera-se entre os principais achados um processo de redução da participação dos municípios da região Sudeste (passando de 56%, em 2010, para 52%, em 2021, e retomando a 53% em 2023), enquanto todas as demais regiões ampliaram em alguma medida a sua participação. O destaque foram os municípios da Região Centro-Oeste, que apresentaram maior crescimento no período analisado, ampliando sua participação de 9% para 11%”, afirma o documento.
Este levantamento foi elaborado utilizando informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 19 de dezembro sobre as informações do PIB e PIB per capita (por habitante) dos municípios para o período de 2022 e 2023, cumprindo uma lacuna na divulgação dos dados no ano passado.
Esses são os primeiros dados a apontarem o desempenho da economia municipal após o fim da pandemia de Covid-19, enfatizou a área técnica da entidade.
Ziulkoski ressalta que o monitoramento do PIB é uma ferramenta estratégica para a gestão municipal, pois permite identificar onde a riqueza é gerada e onde há estagnação.
“Não há como se fazer política pública efetiva sem diagnóstico. É a partir dele que se torna possível implementar políticas que induzam o crescimento local, otimizando a arrecadação e trazendo mudanças concretas ao cidadão”, finaliza.
Fonte: Correio do Estado
Foto: Arquivo/Correio do Estado