O endividamento de servidores públicos estaduais de Mato Grosso do Sul soma R$ 9,269 bilhões em contratos consignados, segundo relatório elaborado com base na folha de pagamento apresentada nesta terça-feira (18) pelo deputado estadual Junior Mochi (MDB). O levantamento reúne servidores ativos e inativos e detalha contratos de empréstimos, cartões de crédito, cartões de benefícios e cartões de adiantamento salarial.
Os dados mostram que 65.508 servidores possuem algum tipo de contrato consignado, sendo 38.236 ativos e 27.272 aposentados. Somente na modalidade de empréstimo, são 40.299 pessoas e 172.382 contratos, com valor total de R$ 9.269.106.339,47. Do montante, R$ 4.487.665.682,44 correspondem aos contratos vinculados a servidores ativos e R$ 4.781.440.657,03 aos inativos.

Segundo Mochi, considerando o conjunto dos contratos, o valor médio da dívida seria de R$ 140.491 por servidor. O deputado usou esse dado para defender que o endividamento precisa ser tratado como uma questão de política pública voltada aos servidores.
O deputado relacionou o alto nível de comprometimento da renda à dificuldade de os servidores obterem ganho efetivo mesmo quando há reajustes salariais. “Quando nós discutimos aqui o aumento salarial de 3, de 4, ele, na verdade, é um pingo d'água, não sei o que, na vida dos servidores. Porque ele já está com a sua remuneração comprometida”, declarou.
Mochi também defendeu uma apuração sobre as instituições financeiras que oferecem crédito aos servidores. Segundo ele, o levantamento solicitado inclui instituições que não eram conhecidas por ele e que estão credenciadas para oferecer operações de crédito.
Para cartão de crédito, aparecem Banco BMG, Banco Bradesco, Banco Daycoval, Banco Pan e Banco Santander. Para cartão de benefícios, a relação apresentada traz a PKL. Já na modalidade de antecipação salarial, aparecem KPI, Eco Park Clube e Vollis.
Ao comentar a lista, Mochi classificou o cenário como “agiotagem oficial” e afirmou que, em sua avaliação, haveria cobrança de juros que considera extorsivos. A afirmação foi feita pelo parlamentar durante o pronunciamento e não consta no relatório como conclusão técnica sobre as instituições.
O deputado também citou a margem consignável e afirmou que a legislação federal estabelece limite máximo de 45% do comprometimento entre empréstimos e cartões. Segundo ele, esse percentual já seria elevado e seria necessário verificar o cumprimento das regras pelas instituições que operam os contratos.
Comissão temporária - O requerimento protocolado por Junior Mochi nesta terça-feira prevê a criação de uma Comissão Temporária na Assembleia Legislativa para acompanhar as dívidas decorrentes de empréstimos consignados contratados por servidores estaduais ativos, aposentados e pensionistas.
A proposta estabelece que a comissão acompanhe a atualização dos dados sobre o montante das dívidas junto à SAD (Secretaria de Estado de Administração de Mato Grosso do Sul) e à Ageprev (Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul). Também prevê o monitoramento do cumprimento da margem consignável pelas instituições financeiras habilitadas a operar na folha estadual.
O requerimento prevê ainda interlocução com a SAD, a Ageprev e as instituições financeiras, com solicitação de informações e esclarecimentos considerados necessários. Ao final dos trabalhos, a comissão deverá apresentar relatório ao plenário com um diagnóstico da situação e eventuais propostas de mudanças legislativas e administrativas.
A comissão terá caráter temporário e será encerrada após a apresentação do relatório final ou ao término do prazo estabelecido pela Mesa Diretora. A justificativa apresentada por Mochi afirma que o tema já vinha sendo acompanhado pela Assembleia por meio da Indicação nº 3912/2025 e de requerimento posterior encaminhado à SAD e à Ageprev.
Fonte: Campo Grande News
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