Reforma Administrativa avança na Câmara sob rechaço de entidades sindicais

Servidores acusam Grupo de Trabalho (GT) de falta de transparência e denunciam 'precarização' com contratos temporários e meritocracia

Essa página teve 111 visualizações


22/07/2025 - 08:22

As discussões sobre a Reforma Administrativa na Câmara dos Deputados avançaram nas últimas semanas com a conclusão dos trabalhos do Grupo de Trabalho (GT) instituído para formular propostas. Após 45 dias de atividades, o GT apresentou, de forma restrita, os principais tópicos que deverão compor os textos legislativos a serem protocolados após o recesso parlamentar, em agosto.

Entre os principais pontos estão a instituição de uma tabela única de remuneração para o serviço público federal, a regulamentação de contratos temporários, a ampliação do Concurso Nacional Unificado (CNU), a criação de um bônus de eficiência vinculado ao cumprimento de metas e a avaliação de desempenho individual e organizacional. Os textos, segundo o GT, não tratarão de corte de direitos adquiridos nem incluirão ajustes fiscais diretos.

Apesar da tentativa de apresentar a reforma como modernizadora e técnica, diversas entidades sindicais expressaram insatisfação com o processo e com os conteúdos preliminares discutidos.

Supersalários ficaram de fora da proposta inicial

Durante a audiência pública do GT na Câmara, parlamentares divergiram sobre os rumos da reforma. O coordenador do GT, deputado Pedro Paulo (PSD/RJ), afirmou que a reforma não busca cortar direito. Ele reiterou que a questão dos supersalários é “delicada” e, por isso, ficou de fora das propostas iniciais.

As principais entidades de servidores do país tentam firmar um acordo com o deputado para que assembleias legislativas estaduais possam promover debates locais sobre o tema. Uma das principais inquietações diz respeito à falta de estudos sobre o impacto das mudanças nas administrações subnacionais.

João Paulo Ribeiro, dirigente nacional da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), critica o fato de a sociedade não estar sendo consultada.

– É como propor uma reforma na sua casa e não te ouvir – destaca.

Governo sem força na conversa

João Domingos, presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), avalia que o governo perdeu o protagonismo no debate. Domingos disse não temer o debate sobre temas como estabilidade ou contratação temporária, mas criticou o direcionamento das propostas:

– A palavra reforma sempre veio carregada de traumas para servidores.

A proposta da reforma será dividida em três instrumentos: uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), um Projeto de Lei Complementar (PLP) e um Projeto de Lei Ordinária (PL). A estrutura segue o modelo utilizado na Reforma Tributária, aprovada em 2024.

‘Congresso quer deixar marca’

Com a previsão de que o texto final da reforma seja apresentado logo após o recesso parlamentar, com protocolo formal dos projetos em agosto, o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), Miguel Novo, aponta que o GT deu mais atenção à classe empresarial do que às entidades representativas dos servidores públicos:

– O Congresso Nacional atual é majoritariamente conservador e atua com a intenção de deixar a reforma como uma marca política, a exemplo da Reforma Tributária.

Estabilidade pode mudar

Para Sérgio Ronaldo, presidente da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), a proposta reforça um modelo de precarização, com a ampliação dos contratos temporários, a adoção de bônus vinculados à meritocracia e a fragilização da estabilidade:

– A estabilidade pode ser quebrada, pelas prévias dessa proposta. Vamos organizar nossa base e buscar diálogo com os deputados, para que esse tipo de proposição não siga adiante.

 

FONTE: Extra 

FOTO: Brenno Carvalho/Agência O Globo

 

12/07/2023 - 09:24
Especialistas defendem novas formas de custeio de sindicatos

Assunto foi debatido em evento sobre os 80 anos da CLT, no Rio

07/02/2023 - 14:40
Técnicos do Sindifiscal/MS apontam que MS deve estreitar relações com a Índia

Análise das exportações de MS aponta que as vendas para Índia em 2022 aumentaram 325% em comparação ao ano passado




Veja mais

Edital de convocação do Conselho Deliberativo

Reunião ordinária acontece no próximo dia 26, por meio de videoconferência

Edital de convocação do Conselho Fiscal

Reunião ordinária acontece no dia 24 de junho (quarta-feira), por meio de videoconferência

Receita paga lote especial de restituição automática em julho

Consulta poderá ser feita a partir do dia 8 de julho




Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul - SINDIFISCAL/MS

---