Política fiscal e monetária precisam andar juntas no próximo governo, dizem pesquisadores da FGV

Em seminário organizado pela instituição em parceria com o Estadão, economistas demonstram preocupações em relação à política econômica do governo Lula

Essa página teve 67 visualizações


16/12/2022 - 10:08

O próximo ano será desafiador para a economia, mas há dúvidas sobre como o novo governo do PT reagirá ao cenário, conforme economistas da Fundação Getulio Vargas (FGV). A contribuição externa para a atividade econômica no Brasil será menor, com vários países preocupados em combater a inflação elevada que se espalhou pelo mundo por causa dos desequilíbrios causados pela covid-19 e pela guerra na Ucrânia. E impulsos temporários ou atípicos, alguns associados à pandemia, não se repetirão.

 

O quadro foi desenhado nesta quinta-feira, 8, por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), que participaram de seminário transmitido pela internet, organizado em parceria com o Estadão. Os especialistas externaram preocupações em relação a como a política econômica do novo governo enfrentará os desafios.

 

"Acho que 2023 é desafiador porque, do ponto de vista cíclico, precisamos desacelerar", disse Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre.

 

Após a divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todo o valor gerado na economia) do terceiro trimestre, na semana passada, o FGV Ibre passou a projetar crescimento econômico de 3,0% neste ano. Só que, para 2023, a estimativa aponta para uma estagnação, com crescimento de apenas 0,2%.

 

O pesquisador Armando Castelar, também participante do seminário, afirmou ver nos sinais iniciais da equipe de transição de governo um viés favorável ao aumento da carga tributária. Especialmente se o ex-ministro e ex-prefeito Fernando Haddad for confirmado como ministro da Fazenda.

 

"Haddad tem feito discurso de aumentar imposto. Ele não fala isso, fala em reforma tributária, mas a prioridade para isso parece ser pelo aumento da carga", afirmou Castelar.

 

Inflação elevada

De acordo com Matos, o maior problema de uma política econômica sustentada no aumento indiscriminado de despesas do governo está relacionado à inflação elevada.

 

"Aqui, a preocupação é a inflação de serviços. E a inflação de serviços é componente relacionado a demanda doméstica", afirmou a pesquisadora, lembrando que a inflação dos preços de serviços giram em torno de 8% no acumulado em 12 meses, ante os cerca de 6% no IPCA agregado.

 

Por isso, disseram os pesquisadores do FGV Ibre, seria importante que, a partir de 2023, a política fiscal atuasse de forma combinada com a política monetária. Ou seja, que a dinâmica de despesas do governo não estimulasse a demanda excessivamente.

 

Caso a estratégia do novo governo do PT seja apenas aumentar os gastos, como o Banco Central (BC) tem se mantido firme na disposição de manter os juros elevados para conter a demanda e, assim, arrefecer a inflação, há o risco de o novo governo tentar fazer a economia crescer com estímulos, mas a política monetária seguir "com o freio de mão puxado", disse Senna.

 

Por isso, para Senna, que foi diretor do BC, o principal desafio da próxima gestão será "desfazer a ideia de que estão confiando, exclusivamente, no aumento de gastos" como elemento central da política econômica.

 
 
 
Fonte: Terra

12/07/2023 - 09:24
Especialistas defendem novas formas de custeio de sindicatos

Assunto foi debatido em evento sobre os 80 anos da CLT, no Rio

07/02/2023 - 14:40
Técnicos do Sindifiscal/MS apontam que MS deve estreitar relações com a Índia

Análise das exportações de MS aponta que as vendas para Índia em 2022 aumentaram 325% em comparação ao ano passado




Veja mais

Mercado prevê inflação de 4,86% em 2026

Expectativa é que economia do país cresça 1,85%

Governo divulga novos preços de combustíveis para cálculo do ICMS

Valores definidos pelo Confaz servem de base para tributação estadual e entram em vigor em 1° de maio

Renda comprometida do brasileiro com dívidas atinge nível recorde, diz BC

Quase metade da população está endividada no Brasil




Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul - SINDIFISCAL/MS

---