No Dia da Poupança, veja quanto rendem R$ 1.000 na caderneta e em outras opções de renda fixa

- Simulações apontam a diferença de ganhos nos últimos anos e faz estimativa para os próximos 46 meses - Especialistas apontam que tradição e simplicidade mantêm a caderneta entre opções preferidas

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31/10/2025 - 09:40

No Dia Mundial da Poupança, celebrado nesta sexta-feira (31), cálculos feitos pelo planejador financeiro Carlos Castro, da Planejar, mostram quanto o investidor teria ganhado se tivesse aplicado R$ 1.000 na caderneta e em produtos como CDBLCILCA Tesouro Direto.

O especialista também projetou quanto a poupança pode render nos próximos quatro anos. As simulações consideram a rentabilidade líquida (já descontadas taxas como IOFImposto de Renda, administração e custódia), se houver, e usam projeções do Boletim Focus para estimar o comportamento futuro dos juros e da inflação.

Veja projeção de quanto a poupança e outros investimentos de renda fixa renderam nos últimos anos

Veja projeção de quanto a poupança e outros investimentos de renda fixa podem render nos próximos anos

 
 

LCIs e LCAs não têm cobrança do IR

INVESTIMENTO FAVORITO DOS BRASILEIROS

Segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a poupança continua sendo o destino preferido dos brasileiros para guardar dinheiro, mesmo rendendo menos do que outras aplicações conservadoras. A 8ª edição do Raio-X do Investidor Brasileiro aponta que 32 milhões de poupadores aplicavam exclusivamente nela.

O saldo, porém, não é o maior. Segundo a associação, até junho deste ano a poupança somava R$ 956,9 bilhões, ante R$ 1,146 trilhão aplicado em CDBs, R$ 536,7 bilhões em LCAs, R$ 426,5 bilhões em LCIs e R$ 855,7 bilhões em fundos de renda fixa.

O levantamento indica que o saldo da caderneta cresceu até 2020, quando teve um salto expressivo, mas voltou a cair nos anos seguintes, com leve recuperação em 2024 e nova retração em 2025.

De acordo com Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, o pico de 2020 e 2021 foi impulsionado pelo pagamento do auxílio emergencial e pela redução de gastos durante a pandemia. A especialista diz que com a reabertura, o aumento do endividamento das famílias e a Selic em alta, muitos investidores sacaram suas economias para pagar dívidas. Além disso, a especialista diz que a consolidação das plataformas digitais também favoreceu a migração para produtos de renda fixa mais rentáveis, como CDBs e LCIs.

Os dados mais recentes do relatório da poupança do BC (Banco Central), que consideram o acumulado até outubro de 2025, indicam que o saldo atual da caderneta é de R$ 1,01 trilhão. Em outubro, foram registrados R$ 269,7 bilhões em depósitos e R$ 285,1 bilhões em retiradas.

Entre os fatores que explicam a popularidade da aplicação, Luciane destaca que, além de ser usada para o pagamento de auxílios do governo, por meio da poupança digital movimentada no Caixa Tem, muitos brasileiros ainda veem outros produtos financeiros como complexos ou restritos a quem tem mais dinheiro.

"A poupança é simples, faz parte do imaginário do brasileiro e não exige conhecimento técnico para começar a usar. É a porta de entrada de muitos no mundo dos investimentos. Mas à medida em que aumenta a educação financeira, é natural que os investidores passem a diversificar mais seus investimentos", diz.

Carlos Castro, da Planejar, considera ainda que a caderneta funciona mais como uma conta remunerada do que propriamente como um investimento. Segundo ele, a ampla divulgação do produto ocorreu durante o período de hiperinflação, quando guardar dinheiro era extremamente difícil.

Castro relembra ainda que, mesmo após o confisco da poupança durante o governo Collor, episódio que gerou insegurança entre os brasileiros, o produto continuou sendo visto como um instrumento seguro para guardar recursos.

QUAIS SÃO AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS PRODUTOS DE RENDA FIXA?

Vantagens

Segundo Tatiana Guedes, gerente de produtos do escritório da InvestSmart XP, no caso das LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e das LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), a vantagem está na isenção do IR. "Quando comparadas a outros instrumentos tributáveis, considerando o chamado gross up, ou seja, a rentabilidade ajustada para simular o rendimento equivalente após o desconto do imposto, LCIs e LCAs tendem a oferecer uma rentabilidade líquida mais vantajosa", diz.

Outro benefício, segundo ela, é a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) que protege os recursos aplicados até R$ 250 mil por CPF.

Tatiana diz que o CDB tem vantagens semelhantes às LCIs e LCAs, porém não possui isenção do Imposto de Renda. "Ainda assim, é uma aplicação de renda fixa que, por acompanhar o CDI, apresenta vantagens se comparado à poupança", diz.

No caso do Tesouro Selic, a especialista diz que, por serem títulos públicos, apresentam baixíssimo risco de crédito e têm bastante liquidez.

Desvantagens

Para Tatiana, as principais desvantagens são a tributação do IR no caso dos CDBs, fundos DI e Tesouro Selic. Ela diz que esses investimentos seguem a tabela regressiva do IR, que inicia com uma alíquota de 22,5% e, somente após dois anos, atinge a tributação mínima de 15% sobre a rentabilidade.

Outro ponto importante, segundo ela, é o risco de crédito presente nesses ativos. "Apesar desses fatores, acredito que o maior desafio para os investidores iniciantes, acostumados à poupança, é a necessidade de adquirir mais conhecimento sobre outras classes de ativos. Isso exige alguma dedicação e estudo sobre finanças, um tema ainda pouco explorado no nosso país", afirma a especialista.

FAZ SENTIDO MIGRAR DA POUPANÇA?

Segundo a especialista da InvestSmart XP, na maior parte dos casos, sim. Não há custos para migrar recursos da poupança para outros investimentos. "No entanto, é importante ter atenção ao momento da transferência, evitando realizá-la antes da data de aniversário da aplicação. Essa data é responsável pela remuneração mensal dos rendimentos da poupança e, caso o saque ocorra antes dela, o investidor pode perder os juros referentes ao período", diz.

Do ponto de vista de rentabilidade, ela afirma que a migração pode ser bastante vantajosa, especialmente em períodos de Selic elevada como o atual. Ela diz, no entanto, que o investidor precisa estar atento à necessidade de liquidez e ao seu horizonte de investimento, pois algumas dessas aplicações têm prazos de carência maiores para resgate.

QUANDO A POUPANÇA PODE SER BEM UTILIZADA?

Carlos Castro, da Planejar, explica que a poupança pode ter um papel importante para ajudar as pessoas a aprender a guardar dinheiro. Ele diz que, antes de investir, o brasileiro precisa desenvolver o hábito de poupar e, para evitar que o dinheiro fique parado na conta-corrente, a caderneta pode ser uma boa alternativa, já que oferece liquidez e costuma proteger o poder de compra.

Ele diz que, dentro do planejamento financeiro, o ideal é orientar o brasileiro a separar uma parte da renda para começar a guardar (usando a conta-poupança) para depois criar uma conta de investimentos com diversificação, de acordo com um plano de curto, médio e longo prazo.

Ele diz que a poupança pode ser adequada para objetivos de curtíssimo prazo, mas que, para períodos médios e longos, há opções mais vantajosas.

MUDANÇA DE REGRA EM 2012

Em 3 de maio de 2012, uma medida provisória alterou o cálculo do rendimento da caderneta. Quando a Selic é menor ou igual a 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser de 70% da Selic mais a TR (Taxa Referencial). Para depósitos realizados antes de 4 de maio de 2012, continua valendo a regra antiga, de 0,5% ao mês mais a TR.

A IMPORTÂNCIA DO GANHO REAL

Carlos Castro explica que, ao comparar investimentos, o ganho nominal não deve ser o parâmetro, já que ele não considera descontos de impostos ou taxas. O ideal, segundo ele, é sempre olhar o ganho líquido, que é o rendimento após esses custos. Esse valor é influenciado, inclusive, pelo período em que o dinheiro fica aplicado, pois o IR segue uma tabela regressiva (quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menor o imposto).

Alguns investimentos têm taxa de administração, como os fundos de renda fixa, que ainda contam com o chamado "come-cotas", uma antecipação do pagamento do imposto. Ele lembra que a poupança, assim como LCI e LCA, atualmente não têm incidência de Imposto de Renda, o que facilita essa conta.

Ele diz que é essencial observar o ganho real, que é quanto o investimento rende acima da inflação.

 

FONTE: Folha de São Paulo 

FOTO: Gabriel Cabral/ Folha de São Paulo  

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