Mesmo após aderir ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), iniciativa do governo federal para renegociar as dívidas dos estados com a União, as contas públicas de Mato Grosso do Sul ficaram no vermelho no 3º bimestre de 2026, período de maio a junho, com a retomada da pressão das despesas com pessoal e do rombo da previdência social.
O resultado primário, um dos principais indicadores para medir a saúde fiscal e a sustentabilidade da dívida de um estado, registrou déficit de R$ 460 milhões, o equivalente a 4% da receita corrente líquida no terceiro bimestre deste ano, segundo dados do RREO (Relatório Resumido da Execução Orçamentária - Foco Estados + Distrito Federal), do Tesouro Nacional.
O cenário fiscal do Estado piorou em relação ao mesmo período do ano passado, quando o déficit foi de R$ 18 milhões, equivalente a 2% da receita corrente líquida.
Gastos por funções
As despesas totais do Estado até o 3º bimestre deste ano somaram R$ 14,65 bilhões. O maior valor é da Previdência Social, correspondentes a R$ 3,29 bilhões, o equivalente a 22% da despesa total. Outras despesas da máquina pública somaram R$ R$ 3,13 bilhões (21%). Em seguida, está a Educação, com R$ 2,5 bilhões (17% do total).
A Segurança Pública abocanhou R$ 1,39 bilhão (9%), resultado praticamente semelhante destinado à Saúde, com uma fatia de R$ 1,26 bilhão (9%). Os gastos do setor de Transporte somaram R$ 1,14 bilhão (8%), enquanto os da administração totalizaram R$ 1,08 bilhão (7%). O Judiciário abocanhou R$ 870 milhões (6%) das despesas totais do Estado.
O levantamento também aponta que o Estado teve a menor poupança corrente do país, de 6,4% da receita corrente líquida, indicando uma margem reduzida para financiar investimentos com recursos próprios.
Enquanto isso, a dívida consolidada do Estado até o 3º bimestre correspondia a cerca de 72%, apresentando variação positiva de 13% em relação ao estoque de 31 de dezembro de 2025, conforme o relatório do Tesouro Nacional. O indicador ficou bem acima do registrado por estados vizinhos, como Mato Grosso (59%) e Goiás (56%).
Renegociação de dívidas
No processo de renegociação de uma dívida de R$ 7,8 bilhões no âmbito do Propag, Mato Grosso do Sul deixará de pagar R$ 3,2 bilhões ao governo federal ao longo dos próximos 30 anos. Os cálculos do Tesouro Nacional, informados pelo Campo Grande News, correspondem a 41% do saldo devedor renegociado.
Ao todo, 22 estados aderiram ao programa, incluindo Mato Grosso do Sul, no início deste ano. Os cálculos apontam que esses estados deixarão de pagar, no total, R$ 347 bilhões à União nos próximos 30 anos em razão das novas renegociações.
Fonte: Campo Grande News
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