22/05/2026 - 17:09
Mato Grosso do Sul está entre os estados brasileiros mais impactados pela política tarifária adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2025.
Levantamento divulgado ontem pelo Banco Central (BC) mostra que a redução das exportações sul-mato-grossenses para o mercado norte-americano representou perda equivalente a 0,35% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Conforme o Boletim Regional 2025, MS teve o quarto maior impacto registrado no País, atrás apenas de Espírito Santo (-0,55%), Maranhão (-0,42%) e Rio de Janeiro (-0,35%).
O boletim divulgado pela autoridade monetária analisou os efeitos da elevação das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo o estudo, o tarifaço reduziu em US$ 2,7 bilhões as exportações brasileiras para o mercado norte-americano no ano passado, uma retração de 6,7% em relação a 2024.
Embora o impacto agregado tenha sido considerado moderado para a economia nacional, sendo equivalente a 0,1% do PIB brasileiro e a 0,8% das exportações totais do País, o Banco Central concluiu que os efeitos foram distribuídos de forma desigual entre estados e regiões, atingindo com maior intensidade economias mais dependentes das vendas para os Estados Unidos.
No caso de Mato Grosso do Sul, o resultado chama atenção porque ocorre em meio a um ciclo de forte expansão econômica. O Estado encerrou 2025 com crescimento de 4,4%, acima da média nacional de 2,5%, impulsionado principalmente pela agropecuária e o setor de serviços. Ainda assim, a retração das exportações para os Estados Unidos colocou MS entre os mais vulneráveis aos efeitos da guerra comercial iniciada pelo país norte-americano.
Volume
O relatório mostra que a redução das exportações brasileiras para os Estados Unidos ocorreu principalmente pela queda do volume embarcado, característica típica de choques tarifários. A situação se agravou entre agosto e novembro de 2025, período em que as tarifas adicionais atingiram os níveis mais elevados.
Nesse intervalo, as exportações do Centro-Oeste para os Estados Unidos recuaram 40,5% em valor e 36,8% em volume, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A retração foi uma das maiores entre as regiões brasileiras e evidencia o peso das barreiras comerciais sobre as cadeias exportadoras da região.
“O impacto tarifário foi severo em termos de volume embarcado no período mais crítico”, destaca o BC no documento.
Os efeitos do tarifaço atingiram produtos relevantes para a pauta exportadora de MS. Entre as maiores quedas registradas no Centro-Oeste estão as exportações de celulose e metais preciosos.
Segundo o levantamento, as vendas de celulose para os Estados Unidos recuaram 36,2% em 2025, passando de US$ 213,5 milhões para US$ 136,3 milhões. Já as exportações de metais preciosos registraram queda de 69,1% no mesmo período.
O desempenho preocupa porque MS se consolidou nos últimos anos como um dos principais polos mundiais de produção de celulose.