Mercado financeiro prevê retração de 3% para o PIB deste ano



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19/10/2015 - 00:00

Os economistas do mercado financeiro passaram a prever uma retração de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, segundo pequisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 bancos na semana passada e divulgada nesta segunda-feira (19). O levantamento dá origem ao relatório de mercado, também conhecido como Focus.

Até então, a expectativa era de uma contração um pouco menor neste ano: de 2,97%. Se confirmada a contração de 3% neste ano, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras aumentaram de 1,2% para 1,22% a expectativa de contração na economia do país. No início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,8% no ano que vem.

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem início em 1948.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. Na semana passada, a "prévia" do PIB do BC indicou uma contração de 2,99% até agosto.

No fim de agosto, o IBGE informou que a economia brasileira registrou retração de 1,9% no segundo trimestre de 2015 em relação aos três meses anteriores, e o país entrou na chamada "recessão técnica", que ocorre quando a economia registra dois trimestres seguidos de queda. De janeiro a março deste ano, o PIB teve baixa de 0,7% (dado revisado).

Mais inflação

Ao mesmo tempo, o mercado financeiro também passou a estimar mais inflação para este ano e, também, para 2016.

Para 2015, a expectativa dos economistas é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, feche o ano em 9,75% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,70%. Se confirmada a estimativa, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%.

Essa foi a quinta alta seguida no indicador. O BC informou recentemente que estima um IPCA de 9,5% para este ano.

Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 6,05% para 6,12% na última semana. Foi a 11ª alta seguida do indicador que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem.

Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central para 2015 e 2016 é de 4,5%, mas, com o intervalo de tolerância existente, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. Com isso, a inflação deverá superar o teto do sistema de metas em 2015, algo que não acontece desde 2003.

Taxa de juros

Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% ao ano no começo de setembro, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado do BC que fixa os juros básicos da economia, está marcada para as próxima terça e quarta-feira (20 e 21 de outubro).

Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12,63% para 12,75% ao ano – o que pressupõe reduções da taxa Selic ao longo do ano que vem.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

Câmbio, balança e investimentos

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 permaneceu em R$ 4 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio baixou de R$ 4,15 para R$ 4,13.

A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 subiu de US$ 12,99 bilhões para US$ 13,20 bilhões de resultado positivo. Para 2016, a previsão de superávit ficou estável em US$ 25 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil subiu de US$ 61,5 bilhões para US$ 62,5 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte permaneceu inalterada em US$ 60 bilhões.

Fonte: G1

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