IPCA tem 1ª deflação em um ano com queda na conta de luz, na gasolina e em alimentos

- Baixa de 0,11% em agosto é a maior em quase 3 anos, mas mercado esperava recuo ainda mais intenso - Alta acumulada pelo índice em 12 meses desacelera a 5,13% e segue acima do teto da meta de inflação

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10/09/2025 - 10:08

IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve deflação (queda) de 0,11% em agosto, apontam dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado refletiu a baixa temporária dos preços da energia elétrica com o desconto do bônus de Itaipu, cujo efeito tende a ser revertido a partir de setembro. Alimentos e gasolina também voltaram a cair no mês passado, aliviando o índice oficial.

A deflação de 0,11% é a primeira do IPCA em um ano. A queda anterior, de apenas 0,02%, havia ocorrido em agosto de 2024.

A redução do mês passado é a maior em quase três anos, desde setembro de 2022. À época, o recuo havia sido de 0,29% com o corte tributário do governo Jair Bolsonaro (PL) às vésperas das eleições presidenciais.

A deflação de 0,11%, por outro lado, foi menos intensa do que a esperada por analistas na mediana do mercado financeiro. A projeção era de baixa de 0,15%, conforme a agência Bloomberg. O IPCA havia mostrado inflação (alta) de 0,26% em julho.

IPCA DESACELERA A 5,13% EM 12 MESES

No acumulado de 12 meses, o IPCA passou a registrar inflação de 5,13% até agosto. Isso significa uma desaceleração (alta menor) ante o aumento de 5,23% até julho.

O avanço, porém, segue acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central).

Com o bônus de Itaipu, os preços da energia elétrica residencial recuaram 4,21% no IPCA do mês passado. Isso ocorreu mesmo com o país na bandeira tarifária vermelha patamar 2, que acrescenta sobretaxa nas faturas.

A conta de luz exerceu a principal pressão do lado das baixas no índice do IBGE (-0,17 ponto percentual).

Com o alívio da energia, o grupo habitação saiu de um aumento mensal de 0,91% em julho para uma queda de 0,90% no IPCA de agosto.

O IBGE também destacou as deflações nos grupos alimentação e bebidas (-0,46%) e transportes (-0,27%).

TARIFAÇO PODE TER IMPACTADO ALIMENTOS, DIZ IBGE

A baixa de alimentação e bebidas foi a terceira consecutiva e a mais intensa dessa sequência.

Os alimentos consumidos no domicílio recuaram 0,83%, com destaque para as deflações do tomate (-13,39%), da batata-inglesa (-8,59%), da cebola (-8,69%), do arroz (-2,61%) e do café moído (-2,17%).

O gerente da pesquisa do IPCA, Fernando Gonçalves, afirmou que a trégua espelha a ampliação da oferta de produtos. O movimento ocorre a partir de melhores condições de safra.

De acordo com Gonçalves, também é possível que o tarifaço de Donald Trump tenha direcionado uma oferta maior de alimentos para o mercado brasileiro. O técnico do IBGE, porém, disse que não é possível precisar o tamanho desse eventual impacto.

Além do café, outro alimento que não escapou das tarifas dos Estados Unidos foi a manga.

Em agosto, os preços da fruta caíram 18,4% no IPCA. Foi a maior deflação entre os 377 subitens (bens e serviços) pesquisados pelo IBGE. As carnes, também impactadas pelo tarifaço, recuaram 0,43%.

 

FONTE: Folha de São Paulo

FOTO: Gabriel Cabral/ Folha de São Paulo 

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