15/07/2026 - 13:19
A inadimplência entre os produtores rurais de Mato Grosso do Sul voltou a aumentar e alcançou o maior patamar dos últimos anos.
Levantamento inédito da Serasa Experian, enviado com exclusividade ao Correio do Estado, aponta que 8,7% dos produtores pessoas físicas do Estado estavam inadimplentes no primeiro trimestre deste ano, 1 ponto porcentual acima da média nacional (8,8%) e 1,4 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período de 2025, quando o índice era de 7,3%.
O avanço interrompe o cenário de relativa estabilidade observado no ano passado. Em 2025, a inadimplência rural em Mato Grosso do Sul havia crescido apenas 0,1 ponto porcentual em relação a 2024, desempenho considerado um dos mais favoráveis do País.
No primeiro trimestre deste ano, o Estado acompanha o agravamento das dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor, pressionado pelos elevados custos de produção, as oscilações dos preços das commodities, as perdas climáticas registradas nas últimas safras e o crédito mais restrito.
Na avaliação do head de Agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, o aumento reflete um processo que vinha sendo observado desde o ano passado.
“A alta gradual da inadimplência mostra que, no início de 2026, os produtores rurais ainda enfrentam desafios para recompor sua capacidade financeira. Mesmo com uma perspectiva mais favorável para alguns segmentos do agronegócio, os efeitos de ciclos anteriores, com custos elevados, oscilações de preços e restrição ao crédito, seguem impactando o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento no setor”, afirma.
Os dados mostram que Mato Grosso do Sul permanece abaixo da média da Região Centro-Oeste, cuja inadimplência chegou a 10,1%, mas o crescimento proporcional do Estado chama atenção por ocorrer após um período de estabilidade e em um momento em que diversas cadeias produtivas ainda buscam recuperar a rentabilidade.
Perfil
Assim como no levantamento anterior, o maior porcentual de inadimplência continua concentrado entre produtores sem registro formal de propriedade rural, grupo que é composto por arrendatários, integrantes de grupos econômicos ou familiares e produtores sem identificação nos cadastros fundiários.
Em Mato Grosso do Sul, esse grupo alcançou índice de 12,9%, muito acima da média nacional. Na sequência aparecem os pequenos proprietários, com inadimplência de 8,4%, os médios proprietários, com 7,8%, e os grandes produtores, que registraram o menor índice no Estado, de 6,6%.
O comportamento sul-mato-grossense difere do cenário nacional. No Brasil, os produtores sem registro também lideram a inadimplência, com 11%, mas os grandes proprietários aparecem em seguida, com 9,9%, enquanto médios e pequenos registraram 8,6% e 8,3%, respectivamente.
Segundo especialistas do mercado de crédito, a elevada inadimplência entre produtores sem registro formal decorre da maior dificuldade de acesso às linhas tradicionais de financiamento, além da menor capacidade de oferecer garantias e da maior exposição a operações de crédito com custos mais elevados.
Outro recorte do levantamento mostra que a inadimplência permanece concentrada entre produtores em idade economicamente mais ativa.
Nacionalmente, os maiores índices foram registrados entre pessoas de 30 a 39 anos, seguidas pelos produtores de 18 a 29 anos e de 40 a 49 anos. A partir dos 50 anos, os porcentuais passam a diminuir gradualmente.
Recuperação
O aumento da inadimplência ocorre paralelamente ao avanço dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio sul-mato-grossense.
Fonte: Correio do Estado
Foto: Gerson Oliveira