Além disso, das 27 unidades da federação, 14 apresentaram redução no número de consumidores inadimplentes, sinalizando uma mudança de ritmo após meses de crescimento acelerado.
Em Mato Grosso do Sul, entretanto, o movimento foi oposto. O número de inadimplentes passou de 1.304.115 em abril para 1.306.986 em maio, um acréscimo de 2.871 pessoas. Na comparação mensal, a alta foi de 0,22%.
O que significa que, enquanto parte dos estados brasileiros conseguiu reduzir o contingente de consumidores com restrições de crédito, Mato Grosso do Sul adicionou novos nomes à lista de negativados.
Parte do recuo se deve principalmente ao início da nova fase do programa do governo federal Desenrola, que oferece juros reduzidos para a renegociação de dívidas.
O programa passou a valer no mês passado, mas para Mato Grosso do Sul ainda não foi efetivo.
Os números reforçam uma realidade já observada ao longo dos últimos meses no Estado. Em diversas pesquisas divulgadas pela Serasa, MS tem apresentado crescimento contínuo da inadimplência, mesmo diante de programas de renegociação de dívidas e de um mercado de trabalho considerado aquecido.
Segundo a diretora da Serasa, Aline Maciel, os dados nacionais mostram que as campanhas de renegociação começam a produzir efeitos.
“Apesar de ainda vermos um crescimento na inadimplência, os dados indicam uma desaceleração importante perante os meses anteriores e mostram um reflexo positivo do crescimento recente nas negociações de dívidas”, afirmou.
Ela ressalta, porém, que a renegociação, sozinha, não resolve o problema estrutural do endividamento das famílias. “Apesar do alívio que a negociação de dívidas traz ao brasileiro, sempre reforçamos que esse momento deve motivar uma organização financeira familiar para evitar uma nova inadimplência”, completou.
Juros
Especialistas apontam que a manutenção dos juros em patamares elevados continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras.
Com a taxa Selic ainda em nível restritivo, o crédito permanece mais caro, elevando o custo de financiamentos, empréstimos e do uso do cartão de crédito.
Ao mesmo tempo, parte da renda das famílias segue comprometida com despesas básicas, o que reduz a capacidade de pagamento de dívidas acumuladas nos últimos anos.
Em Mato Grosso do Sul, esse cenário é agravado pelo aumento do custo de vida observado nos últimos meses. Conforme já publicado pelo Correio do Estado, Campo Grande, por exemplo, foi a capital com a maior inflação do País no mês de maio, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O mestre em Economia Eugênio Pavão, aponta que com a perda de poder de compra e o aumento do custo de vida, as famílias têm usado o crédito como extensão da renda. Esse comportamento, segundo ele, transforma o endividamento em condição de sobrevivência.
“Estamos diante de um endividamento estrutural, que não é mais apenas fruto de consumo, mas de sobrevivência”, avalia.