Em março, o volume de vendas do varejo no Estado cresceu 0,2% em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal.
Na comparação com março do ano passado, a alta foi de 4,2%. O acumulado do ano chegou a 3,5%, enquanto o índice acumulado em 12 meses avançou 1,9%.
Já a receita nominal do comércio varejista registrou crescimento de 5,8% na comparação anual e avanço de 5,4% em 12 meses.
Apesar dos indicadores positivos, representantes do setor avaliam que a retirada da tributação pode enfraquecer a recuperação do varejo, principalmente entre pequenas e médias empresas.
A presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), Inês Santiago, afirmou que a medida evidencia uma contradição na política econômica do País.
“A FCDL-MS sempre defendeu que o caminho correto não era aumentar a tributação sobre plataformas internacionais, mas sim reduzir o peso tributário e operacional suportado pela indústria e pelas plataformas nacionais. No entanto, o Brasil fez exatamente o contrário: primeiro onerou as plataformas internacionais sob o argumento de proteger a indústria e o varejo nacional, e agora, sem desenvolver qualquer política estruturante de competitividade para as empresas brasileiras, simplesmente revoga a tributação para atender à pressão popular e ao consumo de curto prazo de um consumidor já muito endividado”, afirmou.
Ela reconhece que muitas famílias dependem dessas plataformas para adquirir produtos mais baratos, mas questiona os impactos futuros sobre o mercado brasileiro.
“Sabemos que muitas famílias se utilizam dessas plataformas para adquirir produtos de menor valor e não somos contrários a isso. A questão é se perguntar: qual será o custo disso para o emprego brasileiro, para o varejo e a indústria nacional e para a arrecadação de tributos no médio prazo?”, disse.
A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) também demonstrou preocupação com os efeitos da medida sobre o comércio nacional. Em nota, a entidade afirmou ser favorável à redução da carga tributária, mas criticou a diferença de tratamento entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.
“A retirada da tributação sobre compras internacionais de pequeno valor, da forma como está sendo feita, cria um cenário de concorrência desleal ao favorecer produtos importados, enquanto o comércio nacional continua enfrentando elevada carga tributária, custos trabalhistas e diversas obrigações regulatórias”.
A entidade defende que o mesmo benefício seja aplicado às compras realizadas em empresas brasileiras.
“A ACICG defende que a mesma desoneração seja aplicada às compras de até R$ 250 nas empresas brasileiras, fortalecendo a economia local, incentivando o empreendedorismo e garantindo condições mais justas de competitividade para quem gera desenvolvimento no Brasil”, completou.
TAXAÇÃO
A chamada “taxa das blusinhas” foi criada para tributar compras internacionais de pequeno valor, principalmente de plataformas asiáticas.
O argumento do governo à época era proteger a indústria e o varejo nacionais diante da concorrência de produtos vendidos a preços inferiores aos praticados no mercado brasileiro.
Além disso, a cobrança havia se tornado uma importante fonte de arrecadação. Em 2025, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com o imposto sobre importações de até US$ 50. Nos quatro primeiros meses deste ano, o valor chegou a R$ 1,78 bilhão.
A revogação da medida ocorreu após desgaste político do governo. Pesquisa Latam Pulse Brasil, realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, indicou que 62% dos brasileiros consideravam a taxação o maior erro do governo de Lula.