Fazenda projeta PIB mais fraco em 2025 e vê inflação menor

- Visão menos otimista para a atividade está vinculada a menor previsão de crescimento no terceiro tri - Perspectiva da inflação reflete efeitos defasados do real mais apreciado

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14/11/2025 - 09:37

Ministério da Fazenda revisou para baixo as previsões para o crescimento do país e a inflação neste ano, em meio a uma política restritiva de juros do Banco Central, informou a Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta quinta-feira (13).

Segundo boletim divulgado pela SPE, a Fazenda reduziu a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro para 2,2% neste ano, contra previsão de 2,3% feita em setembro. Para 2026, a estimativa de crescimento foi mantida em 2,4%.

A Fazenda ainda projetou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano com alta de 4,6%, ante avanço de 4,8% na projeção de setembro. Para 2026, o ministério prevê que a inflação será de 3,5%, contra 3,6% estimados anteriormente, "atingindo 3,2% no segundo trimestre de 2027, horizonte relevante de política monetária".

A meta do Banco Central para a inflação é 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

De acordo com a pasta, a visão menos otimista para a atividade deste ano está relacionada a uma menor previsão para o crescimento do terceiro trimestre, "repercutindo o alto patamar dos juros reais", o que impactou também as previsões para o fechamento do ano.

A secretaria apontou ainda que a desaceleração poderia ser maior, não fossem alguns fatores, como o pagamento de precatórios pelo governo em julho e o ritmo mais forte das concessões de crédito consignado.

O secretário da SPE, Guilherme Mello, disse que o resultado efetivo dos dados econômicos chega ao último trimestre do ano muito similar ao que a pasta esperava no início de 2025.

"O PIB tem respondido às políticas públicas e a taxa de crescimento tem se mantido em um patamar saudável, em um patamar adequado ao potencial da economia", disse em entrevista coletiva para a divulgação dos dados.

Para 2026, a SPE espera desaceleração da atividade agropecuária, um arrefecimento que deve ser mais que compensado por uma maior expansão esperada para a indústria e os serviços.

"Ao longo do ano (de 2026), espera-se que a política monetária se torne menos contracionista, contribuindo para tornar o mercado de crédito menos restritivo junto com políticas de crédito habitacional e ao trabalhador", disse a secretaria.

Em relação aos preços no país, a Fazenda afirmou que a perspectiva de menor inflação no ano reflete efeitos defasados do real mais apreciado, a menor inflação no atacado agropecuário e industrial e o excesso de oferta de bens em escala mundial como reflexo dos conflitos comerciais.

A Fazenda disse ainda que a projeção para o IPCA considera uma bandeira amarela para as tarifas de energia elétrica em dezembro, que imporia um custo menor para o consumidor do que a bandeira vermelha atualmente em vigor. A bandeira das tarifas é definida pela Aneel, agência reguladora do setor elétrico, com base nas condições para a geração de energia.

Segundo Mello, não é possível apontar com confiança a trajetória da inflação nos próximos anos, mas que, com uma similaridade entre as projeções da SPE e do BC, enxerga espaço para que o Comitê de Política Monetária leve a política monetária a um patamar menos restritivo, se sentir segurança nos dados.

Ele destacou que a secretaria espera o início de um ciclo de redução da taxa Selic em 2026 devido a estimativas de queda da inflação, mas ainda não pode apontar ao certo em que momento começará o afrouxamento.

"É uma surpresa positiva muito importante o fato de que, não só as expectativas, como os dados reais e as nossas projeções aqui da SPE e do Banco Central têm mostrado também uma desaceleração importante da inflação nesse ano e nos próximos", afirmou ele.

Questionado sobre impactos de medidas específicas, como a isenção do Imposto de Renda, sobre o PIB e inflação, o secretário disse que a SPE não as isola em suas projeções, mas a influência que exercem na economia é incorporada às estimativas.

Ele destacou ainda que, com os resultados positivos que a economia tem apresentado, entre outros fatores, não enxerga nenhum elemento que possa provocar uma desvalorização abrupta do real.

 

FONTE: Folha de São Paulo 

FOTO: Adriano Vizoni/ Folha de São Paulo 

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