11/06/2026 - 14:48
A arrecadação do governo de Mato Grosso do Sul aumentou 7,7% no primeiro quadrimestre deste ano na comparação com o período de janeiro a abril do ano passado.
Conforme o relatório de gestão fiscal, publicado no Diário Oficial do Estado, em 2025, as receitas somaram R$ 8,631 bilhões, já no quadrimestre deste ano chegaram a R$ 9,297 bilhões, enquanto as despesas passaram de R$ 7,516 bilhões para R$ 8,972 bilhões – aumento de 19,3%.
Apesar do aumento da arrecadação, Mato Grosso do Sul começou o ano com uma margem fiscal significativamente menor do que a registrada um ano antes.
Enquanto no primeiro quadrimestre de 2025 o Estado encerrou o período com uma sobra de aproximadamente R$ 1,115 bilhão, neste ano a margem caiu para cerca de R$ 325 milhões.
Na prática, isso significa que o crescimento das despesas consumiu praticamente todo o ganho obtido com o avanço da arrecadação.
A folga fiscal encolheu 70,9% em um ano, evidenciando uma pressão crescente sobre as contas públicas.
Embora o desempenho da receita continue refletindo a expansão da atividade econômica estadual, impulsionada principalmente pelo agronegócio, pela indústria de transformação e pelo comércio, os gastos cresceram em um ritmo muito superior, limitando a capacidade financeira do governo para ampliar investimentos e executar novas políticas públicas com recursos próprios.
O cenário chama a atenção, porque ocorre justamente em um momento em que Mato Grosso do Sul vive um ciclo de expansão econômica, com atração de investimentos privados, crescimento da produção industrial e aumento da arrecadação tributária.
A arrecadação com impostos e taxas de melhorias saiu de R$ 7,511 bilhões no primeiro quadrimestre do ano passado, para R$ 7,722 bilhões, aumento de apenas 3%.
Folha de pagamento
Parte importante da pressão sobre as contas estaduais continua relacionada aos gastos com pessoal.
Dados do Relatório de Gestão Fiscal mostram que a despesa total com pessoal atingiu R$ 10,59 bilhões nos 12 meses encerrados em abril deste ano.
O valor corresponde a 46,62% da Receita Corrente Líquida (RCL) ajustada do Estado, porcentual que permanece acima do limite prudencial de 46,55% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Apesar de uma pequena melhora em relação ao primeiro quadrimestre de 2025, quando o índice alcançava 46,92%, a situação continua indicando elevada rigidez orçamentária.
Em valores absolutos, a despesa com pessoal cresceu cerca de R$ 918 milhões em um ano, passando de R$ 9,68 bilhões para R$ 10,59 bilhões.
O avanço ocorreu praticamente na mesma proporção da expansão da RCL, o que explica a manutenção do indicador próximo ao limite prudencial.