Desenrola não freia alta e MS tem 132 mil empresas negativadas

Programa federal de renegociação já movimentou R$ 11 bilhões no País, mas número de CNPJs inadimplentes no Estado alcançou recorde e dívidas superam R$ 3,7 bilhões

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09/06/2026 - 13:09

Nem mesmo a implementação do Novo Desenrola Brasil foi suficiente para conter o avanço da inadimplência empresarial em Mato Grosso do Sul.
 
Dados da Serasa Experian mostram que o número de empresas com o nome negativado chegou a 132.360 em abril deste ano, alta de 44% em relação a abril de 2025, quando havia 91.934 CNPJs nessa condição, ou 40.426 nomes a mais.
 
O crescimento ocorre em um momento em que o governo federal aposta justamente na renegociação de débitos para aliviar a situação financeira das empresas.
 
O Novo Desenrola Brasil já resultou em cerca de 85 mil operações, movimentando R$ 11 bilhões em acordos em todo o País.
 
Apesar disso, os indicadores apontam que o endividamento empresarial continua avançando tanto em MS quanto no restante do Brasil.
 
O Desenrola Empresas é a fase do programa voltada a microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.
 
A iniciativa facilita a renegociação de dívidas com descontos de até 90% e melhora o acesso a linhas de crédito com taxas de juros reduzidas.
 
Além do aumento no número de empresas inadimplentes, os dados revelam uma piora expressiva no volume financeiro das dívidas.
 
Em abril de 2025, os débitos negativados somavam R$ 2,40 bilhões no Estado, em abril deste ano, o montante alcançou R$ 3,71 bilhões, crescimento de 55% em apenas 12 meses.
 
Os números acompanham a tendência nacional. O Brasil atingiu em abril um novo recorde de inadimplência empresarial, com 9 milhões de empresas negativadas, que acumulavam R$ 220,9 bilhões em dívidas.
 
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirma que o quadro reflete um ambiente financeiro ainda restritivo, apesar do início do ciclo de redução dos juros.
 
“O contingente de empresas com restrições de crédito segue elevado, refletindo a persistência de um ambiente financeiro ainda significativamente apertado. Apesar do início do ciclo de flexibilização monetária, o patamar ainda restritivo dos juros, aliado a spreads elevados e critérios de concessão mais cautelosos, limita a recomposição da capacidade financeira das empresas”.
 
Conforme a economista, a inadimplência empresarial é um indicador de estoque, o que significa que o problema incorpora pressões acumuladas ao longo do tempo.
 
“Em paralelo, o processo de desaceleração da atividade econômica tende a impactar o faturamento das empresas e dificultar a recomposição de caixa. Nesse contexto, ainda não há sinais consistentes de inflexão na trajetória da inadimplência”, completa.
 

 
DÍVIDAS
 
O levantamento da Serasa mostra que a quantidade de dívidas registradas em MS também segue em trajetória de crescimento. Em abril de 2025, eram 737.723 dívidas negativadas, em abril deste ano, o total chegou a 1.057.448 débitos, um aumento de 43,3%.
Entre abril de 2025 e abril deste ano, o valor total das dívidas aumentou em mais de R$ 1,31 bilhão, evidenciando que muitas empresas não estão conseguindo equilibrar receitas e despesas mesmo diante da perspectiva de renegociação oferecida pelo programa federal.
 
O avanço da inadimplência ocorre em um ambiente econômico ainda marcado por juros elevados e acesso mais restrito ao crédito.
 
Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de redução da taxa Selic, o custo dos financiamentos para empresas continua alto, especialmente para micro e pequenos negócios, que dependem de empréstimos para manter capital de giro e financiar operações do dia a dia.
 
Os números da Serasa mostram que a alta da inadimplência empresarial em MS ocorreu praticamente sem interrupções ao longo do período analisado.
 
O Estado começou 2025 com 89.484 empresas negativadas. Em maio daquele ano, o total já havia ultrapassado a marca de 100 mil CNPJs, chegando a 102.888.
 
A escalada continuou nos meses seguintes. Em dezembro de 2025, havia 125.771 empresas inadimplentes.
 
Nos quatro primeiros meses deste ano, o contingente aumentou novamente até atingir o recorde de 132.360 empresas.
 
 
Fonte: Correio do Estado
Foto: Reprodução
 
 
 

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Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul - SINDIFISCAL/MS

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