Aneel eleva previsão de aumento da conta de luz para 8,6% em 2026, acima da inflação

Segundo a agência, alta dos subsídios pagos pelos consumidores e cenário de chuvas menos favorável pressionaram a projeção para este ano

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15/06/2026 - 13:22

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) elevou a previsão de aumento da conta de luz em 2026 de 8% para 8,6%, acima da inflação medida pelo Índice de preços ao consumidor amplo (IPCA), que deve ficar em 4,9% neste ano.

Consumidores das regiões Norte e Nordeste, do Mato Grosso e de partes de Minas Gerais e do Espírito Santo, porém, vão contar com um desconto nas tarifas com o uso de R$ 3,1 bilhões do encargo Uso de Bem Público (UBP), um recurso repassado às geradoras de energia para que estas remunerem a União pelo uso dos rios para geração hidrelétrica.

Em março, na primeira previsão do ano, a Aneel projetou um aumento médio de 8% na conta de luz, ainda sem incluir o uso do UBP nos cálculos.

No boletim divulgado nesta sexta-feira, a agência detalha que o uso dos recursos dará um alívio no aumento médio para esse público. Por outro lado, os técnicos apontam que houve aumento de custos da energia com um regime de chuvas mais desfavorável neste ciclo 2025/2026.

Outro fator que deve pesar na alta das tarifas é o aumento dos subsídios a serem pagos pelos consumidores na conta de luz neste ano. O orçamento para 2026 da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) — fundo custeado via cobrança na conta de luz — prevê que R$ 47,8 bilhões em subsídios pagos neste ano, um crescimento de 17,7% em relação a 2025.

Entenda como funciona a conta de luz

- Cerca de 60% do preço da conta de luz paga pelos consumidores reflete o pagamento da geração, transmissão e distribuição da energia consumida pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).

- Aproximadamente 10% do valor da tarifa é resultado do custo de subsídios do setor, reunidos na CDE.

- Os impostos que incidem sobre a conta de luz, como Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é estadual, e PIS/Cofins, que são federais, respondem por outros 30%.

E, correndo por fora, há ainda o impacto eventual da bandeira tarifária, que pode resultar em acréscimo na tarifa a partir do patamar amarelo. Esse mecanismo prevê uma taxa extra variável a ser cobrada quando o sistema elétrico precisa acionar fontes de geração mais caras, como as termelétricas, para garantir o abastecimento. Isso costuma ser feito em períodos de estiagem, quando o nível dos reservatórios está mais baixo.


Fonte: O Globo
Foto: Divulgação

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