Petrobras aumenta preço da gasolina pela 1ª vez em quase dois anos

Última alta de preço da gasolina nas distribuidoras ocorreu em agosto de 2024

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28/05/2026 - 13:05

A Petrobras anunciou que vai aumentar os preços de venda de gasolina para as distribuidoras em R$ 0,48 por litro a partir de amanhã. O valor corresponde a um aumento de 18,6%

O que aconteceu

O impacto do reajuste será reduzido por um desconto de R$ 0,44 por litro bancado pelo governo federal. Com o subsídio federal, o aumento real para as distribuidoras será de apenas R$ 0,04 por litro. O preço médio cobrado pela petroleira para a gasolina A, combustível puro produzido nas refinarias e isento de álcool, passará de R$ 2,57 para R$ 2,61.

Petrobras eleva preço da gasolina pela primeira vez desde 2024. Desde a última alta registrada, foram aplicadas reduções em julho de 2025 (-5,4%), novembro de 2025 (-5%) e janeiro de 2026 (-5,2%).

Reajuste é minimizado por mistura com etanol. Segundo a Petrobras, para a gasolina C, que tem a mistura obrigatória de 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro, a parcela da petroleira na composição do preço final passará dos atuais R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro. Isso representa, segundo a empresa, um aumento máximo R$ 0,03 a cada litro de gasolina C vendida nas bombas.

Aumento do preço da gasolina para os motoristas não é imediato. Com a alta anunciada a partir de amanhã, o combustível ainda passa por toda a cadeia até chegar aos postos. Assim, caberá aos revendedores ajustar as margens e decidir se aplicarão o reajuste no valor final do combustível.

Presidente da Petrobras antecipou o reajuste há mais de duas semanas. Durante conferência com analistas para comentar o balanço do primeiro trimestre da empresa, no dia 12 de maio, Magda Chambriard afirmou que o aumento para as distribuidoras seria anunciado em breve. "[O reajuste] vai ocorrer já já", disse.

Decisão surge em meio à disparada de 36,2% do barril de petróleo. Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, a cotação do Brent, referência internacional utilizada pela Petrobras, saltou de US$ 72,48 para US$ 98,74 até o fechamento de ontem. A alta é motivada pelo bloqueio do Estreito de Hormuz, rota de passagem de 20% do petróleo mundial.

Motoristas sentem no bolso os efeitos da guerra no Oriente Médio. Mesmo sem o reajuste da Petrobras, o preço da gasolina acumula alta de 5,4% nos postos desde o começo do conflito, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Os dados indicam que o valor médio cobrado pelo litro do combustível subiu R$ 0,34, de R$ 6,28 para R$ 6,62.

Subvenção

Governo anunciou subsídio de até R$ 0,8925 por litro de gasolina. A decisão da Petrobras surge após o Planalto editar uma MP (Medida Provisória) para conceder subvenção aos produtores e importadores do combustível. Com a iniciativa para impedir que a alta dos combustíveis chegue aos motoristas, o governo vai direcionar os recursos às refinarias.

Conselho de administração da Petrobras aderiu à subvenção econômica. A estatal justifica que a adesão é compatível com os interesses comerciais da companhia e preserva a flexibilidade na implementação da sua estratégia comercial. "A Petrobras segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente", afirma.

Preços da gasolina praticados pela estatal estão defasados em 55%. A projeção da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) considera que os preços cobrados às distribuidoras estão, em média, R$ 1,15 abaixo da paridade. As defasagens variam em até R$ 1,43 por litro, a depender do polo de distribuição.


Fonte: UOL
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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